Como Parar de Travar Tentando Fazer Páginas Perfeitas

Você abre o journal.

Olha para a página em branco.

Tem uma ideia.

Tem materiais.

Tem vontade de criar.

Mas acaba não fazendo nada.

Porque a página precisa ficar bonita.

Ou organizada.

Ou parecida com aquela inspiração do Pinterest.

Ou pelo menos não pode ficar “feia”.

E então acontece algo curioso:

Você começa um hobby criativo… e transforma ele em uma prova.

Se isso acontece com você, saiba que não está sozinha.

O perfeccionismo é uma das coisas que mais faz pessoas abandonarem o journaling antes mesmo de descobrirem o quanto ele pode ser divertido.


O problema não é querer fazer algo bonito

Vamos esclarecer uma coisa.

Não há nada de errado em gostar de páginas bonitas.

Não há nada de errado em gostar de estética.

Não há nada de errado em caprichar.

O problema aparece quando a busca pela página perfeita impede a página de existir.

Porque uma página simples feita é muito mais valiosa do que uma página perfeita que nunca saiu da sua cabeça.


Quando o journal vira uma vitrine

Muitas vezes, sem perceber, começamos a criar pensando em como a página vai parecer.

Em vez de pensar em como ela vai nos fazer sentir.

O journal deixa de ser um espaço pessoal.

E vira uma vitrine imaginária.

Você começa a se perguntar:

  • Está bonito o suficiente?
  • Está organizado o suficiente?
  • Parece profissional?
  • Parece algo que eu vi no Pinterest?

E essas perguntas costumam sufocar a criatividade.


O Pinterest mostra páginas. Não mostra o processo.

Quando vemos um spread incrível online, estamos vendo o resultado final.

Não vemos:

  • as páginas que deram errado;
  • as tentativas abandonadas;
  • os erros escondidos;
  • os testes;
  • os rascunhos;
  • as páginas que a pessoa não gostou.

Comparar seu processo com o resultado final de outra pessoa quase nunca é uma comparação justa.


Você não precisa merecer usar seu journal

Parece estranho dizer isso.

Mas muita gente age como se precisasse estar inspirada o suficiente.

Criativa o suficiente.

Preparada o suficiente.

Para usar o próprio journal.

Não precisa.

Você pode criar em dias inspirados.

E também em dias comuns.

Pode fazer páginas incríveis.

E páginas completamente esquecíveis.

As duas fazem parte da experiência.


Experimente fazer uma página “sem importância”

Essa é uma das formas mais simples de quebrar o perfeccionismo.

Escolha uma página.

E decida que ela não precisa ser especial.

Sério.

Faça algo simples.

Uma lista.

Uma colagem rápida.

Uma frase.

Um rabisco.

Uma página que não tenha a missão de ser bonita, inspiradora ou digna de fotografia.

Apenas uma página.


Dê permissão para errar

Talvez o maior segredo do journaling seja este:

As páginas imperfeitas não estragam o journal.

Elas fazem parte dele.

Uma página torta.

Uma colagem desalinhada.

Uma letra diferente.

Uma ideia que não funcionou.

Tudo isso conta a história do processo.

E processos reais raramente são perfeitos.


Nem toda página precisa ser uma obra-prima

Imagine se cada refeição que você cozinhasse precisasse ser digna de um programa de culinária.

Seria exaustivo.

Com o journal acontece algo parecido.

Algumas páginas serão especiais.

Outras serão simples.

Outras serão experimentos.

Outras serão apenas registros rápidos.

E tudo bem.


Faça páginas feias de propósito

Sim.

De propósito.

Parece contraditório, mas funciona.

Escolha um dia para criar sem tentar acertar.

Misture materiais estranhos.

Cole coisas aleatórias.

Use cores que normalmente não usaria.

Ignore alinhamentos.

O objetivo não é criar algo feio.

O objetivo é mostrar ao seu cérebro que nada de terrível acontece quando você abandona o controle por alguns minutos.


Termine antes de julgar

Existe uma armadilha comum:

julgar a página enquanto ela ainda está sendo feita.

Muitas páginas passam por uma fase estranha no meio do processo.

Às vezes elas parecem incompletas.

Bagunçadas.

Sem sentido.

Mas isso não significa que estejam ruins.

Tente terminar primeiro.

Avaliar depois.


Seu journal não precisa impressionar ninguém

Essa talvez seja a lembrança mais importante de todas.

Você não está criando para uma nota.

Não está participando de uma competição.

Não está tentando passar em um teste de criatividade.

Seu journal existe para você.

Para registrar ideias.

Pensamentos.

Memórias.

Experiências.

Momentos.

Se ele estiver cumprindo essa função, já está funcionando.


Um pequeno desafio

Na próxima vez que abrir seu journal, tente uma destas opções:

  • use apenas uma caneta;
  • faça uma página em 10 minutos;
  • escreva sem apagar;
  • cole qualquer coisa que encontrar primeiro;
  • faça uma página sem planejamento;
  • termine a página mesmo que ela não esteja como imaginou.

Você pode se surpreender com o resultado.


A página perfeita provavelmente não existe

Mas a página real existe.

A página feita existe.

A página que registra uma ideia, uma memória ou um momento existe.

E, no fim das contas, essas costumam ser as páginas que mais importam.

Então, se você está esperando o momento perfeito, a inspiração perfeita ou a habilidade perfeita…

talvez hoje seja um ótimo dia para simplesmente virar a página e começar.


Veja também:

→ Tipos de Journal: qual combina com você?

→ Como escolher um caderno para journal

→ O que usar no journal: ideias simples e criativas

100 Ideias de Páginas Para Journal

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